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Ausência de Kirchner favorece cooperação Brasil-Paraguai

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CEIRI no Jornal Brasil Econômico

Com a aprovação do projeto que triplica os lucros paraguaios na administração conjunta de Itaipu, Dilma abre caminho para elevar investimentos e apoio da região.

Ao cancelar sua participação na 41º cúpula do Mercosul, que ocorre nesta terça (28/6) e quarta-feira (29/6) em Assunção (Paraguai), a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deixou o caminho livre para Dilma Rousseff dar o próximo passo na política brasileira de fortalecimento do bloco.



As duas chefes de estado vêm medindo forças em diversos entraves comerciais, como a aplicação de barreiras à importação de automóveis e alimentos entre os países.

Segundo informações da Casa Rosada, a desistência partiu de uma recomendação médica. Na última quarta-feira (15/6) a presidente tropeçou e bateu a cabeça.

"A ausência da argentina na cúpula é, na verdade, uma estratégia política. Diante da possibilidade de ganhar reeleição em primeiro turno, é muito arriscado sair enfraquecida de um evento cujo confronto direto com o Brasil e com o Uruguai seria inevitável", analisa Marcelo Suano, pesquisador do Centro de estartégia, Inteligência e Relações Internacionais (Ceiri).

Sem a Argentina, ficará mais fácil para o Brasil iniciar uma rodada de negociações bilaterais e de investimentos em projetos de infraestrutura com o Paraguai. Uma das agendas que atravancavam esse processo foi resolvida em maio, no Congresso: a aprovação do projeto que triplica os lucros paraguaios na administração conjunta da Usina de Itaipu.

Ao invés de pagar US$ 120 milhões pelo excedente de energia paraguaia, o Brasil começará a desembolsar R$ 360 milhões. Segundo analistas, contudo, o real valor de mercado dessa energia era de US$ 2,8 bilhões.

"Considerando que o Brasil entrou com os investimentos e o Paraguai com a amizade, qualquer valor a mais já era um bom negócio para eles", ironiza José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

Com o projeto em mãos, Dilma rompe animosidades com o presidente Fernando Lugo. "Foi uma concessão para amenizar o diálogo entre os dois líderes, que estava atrasando as parcerias comerciais", diz Suano.

Agenda

Segundo o Itamaraty, além do aumento da remuneração pela energia de Itaipu, que alimenta 90% do território paraguaio e 20% do brasileiro, a agenda entre Dilma e Lugo é extensa. Os presidentes analisarão iniciativas conjuntas em matéria de integração produtiva, física e fronteiriça, bem como em temas de políticas sociais e de segurança.

"Serão consideradas iniciativas que envolvam os respectivos setores privados, inclusive no que diz respeito a investimentos, tendo em conta o momento positivo que atravessam as economias de ambos os países: o Paraguai teve crescimento de 15,3% em 2010, o maior da região e o segundo maior do mundo", informou em nota.

Para Suano, a estratégia de enviar uma missão de empresários ao país antes da realização da reunião de presidentes reflete o amadurecimento da política externa brasileira frente aos parceiros sulamericanos.

"O Mercosul não andou quase nada desde sua criação pois a estratégia adotada pelos membros é errada. No bloco, primeiro se estabelecem regras e regulações. O ideal é que se fomente, antes, um ambiente de troca e de análise de interesses entre os empresários - laços econômicos. Nisso, a estratégia de Dilma tem sido bem sucedida", explica.

Aproximar os países do Mercosul por meio de investimentos em infraestrutura tem sido a estratégia brasileira na região sulamericana.

"A consolidação do grupo deixa o cenário mais propício para o Brasil, que é a economia central da América Latina. Além disso, reduz o poderio da Argentina sobre os países da região: quando enfraquecida, ela terá de respeitar mais as outras economias e reduzir barreiras comerciais e acordos sem contrapartidas claras", complementa Suano.

Ver Matéria em: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/ausencia-de-kirchner-favorece-cooperacao-brasilparaguai_103578.html