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ESPECIAL VENEZUELA: Chávez

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CEIRI no Jornal Brasil Econômico.

Estrutura de poder do chavismo dificultaria eventual transição.

Para quem já enfrentava uma grave crise energética e a maior inflação da América Latina, nada poderia ser mais nocivo do que uma crise política. Acometido por um câncer, o líder venezuelano Hugo Chávez não vive uma debilidade exclusivamente de saúde.

Após uma cirurgia em Cuba, onde esteve desde 10 de junho, Chávez esteve sob tratamento e governando remotamente, já que o próprio vice-peresidente Elias Jaua se negou a assumir o poder. Na prática, para alguns especialistas, Chávez não tem vice, nem segundo escalão. Não há quem assuma o poder em seu lugar, ainda que tenha homens de confiança.

Aos olhos do analista internacional do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (Ceiri), Marcelo Suano, trata-se de um fruto da estrutura de mitificação criada pelo próprio presidente.

"Chávez é o ponto de equilíbrio entre as instituições governantes, que são todas muito frágeis", avalia.

Não é obra do acaso. Quando eleito, Chávez pôs em prática suas missões bolivarianas de inclusão social e inegavelmente trouxe conforto ao cansaço da população. Trouxe projetos como o supermercado do povo, o plano das construções de casas, levou atendimento médico e odontológico ao país.

Com recursos do petróleo, se movimentou para financiar aliados em toda a América Latina e então teria passado a uma intervenção mais invasiva nas instituições.

"Ele se movimentou para mudar a constituição, dominou as forças armadas, penetrou no legislativo, no judiciário. Então não havia necessidade de ter coalizão para intervir no executivo", resume Suano. "Não há instituição que funcione sem ele."

Oposição

A caminho de um processo eleitoral em 2012, a Venezuela conta com uma oposição desestruturada, composta por todo o tipo de políticos. "A oposição na Venezuela é um verdadeiro balaio de gato. Tem até fascista", comenta Suano.

Foi justamente a falta de projeto da oposição que levou Chávez à eleição em 1998. Jovem e cheio de projetos revolucionários, foi capaz de encantar a população.

A falta de um projeto de governo ainda é um tabu para a oposição. "Até hoje eles não têm um plano. O plano deles hoje é ser anti-Chávez", sinaliza o professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Marcus Vinícius de Freitas.

Sucessão

Neste aspecto a ilha e a Venezuela não se aproximam: é remota a possibilidade de Chávez delegar o poder a seu irmão Adán Chávez.

"A Venezuela ainda tem parlamento, ainda tem sistema partidário, ainda tem relações internacionais. Não é simples como foi esse processo em Cuba", explica Freitas.

Diante de uma possível morte do comandante, o cenário do país fica obscuro. Para Freitas, o dilema ainda está sem resposta. Mas há opções já descartadas como a adoção de um governo militar.

Marcelo Suano, analista do Ceiri, também não vê um cenário claro, mas entende que a fragmentação da sociedade é algo perigosa, mas caminho natural diante do conflito. "As Forças Armadas já estão se preparando para uma manifestação violenta da população local."

Matéria completa em: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/especial-venezuela-chavez_103760.html