CEIRI no Jornal Brasil Econômico. Especial 11 de Setembro.
BÁRBARA LADEIA
Falta consenso sobre o peso dos US$ 4 trilhões gastos com Guerra ao Terror sobre a crise da dívida
Existem poucas dúvidas que os atentados do Onze de Setembro e a subsequente Guerra ao Terror jogaram sombras sobre a até então saudável economia dos Estados Unidos. No entanto, ainda faltam respostas sobre qual o verdadeiro tamanho da responsabilidade desses eventos sobre a crise da dívida americana de 2011.
Após os atentados do Onze de Setembro, o então presidente George W. Bush abriu fogo contra o terror. Em duas guerras, o exército americano invadiu o Afeganistão, em busca do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, e o Iraque, atrás de supostas armas de destruição em massa. Mais tarde o Paquistão, que abrigava Bin Laden, também virou alvo do país.
Segundo o estudo "Custos de Guerra", do Instituto Watson de Estudos Internacionais, da Universidade Brown foram US$ 4,4 trilhões gastos nessa empreitada. Hoje, boa parte da dívida americana, que beira os US$ 15 trilhões, é atribuída a todo esse investimento contra o terrorismo.
(...)Globalização do prejuízo
A decisão unilateral dos Estados Unidos de atacar Iraque e Afeganistão, ignorando recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) e os temores de todo mundo, foi um importante elemento na desconstrução do superávit fiscal deixado pelo governo Clinton. No entanto, o avanço do déficit nas contas americanas não foi sentido apenas por Estados Unidos, Iraque e Afeganistão.
Em julho deste ano, os principais mercados mundiais foram tomados pelo pânico da possível rejeição à elevação do teto da dívida americana. Ao longo de todo o mês, o presidente Barack Obama travou uma dura luta contra o congresso, que ameaçava não aprovar a nova elevação, em busca de uma saída política.
"Parecia o dia do fim do mundo", lembra Marcelo Suano, pesquisador do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI), que estava no pais na data da aprovação. Até mesmo as autoridades monetárias chinesas, maior credor dos Estados Unidos, se manifestaram, solicitando a elevação do limite. O risco era global.
Diante da aprovação do novo teto da dívida, que ficou em US$ 17 trilhões, comprometidos com uma reforma orçamentária, as agências de risco reavaliaram as classificações para os Estados Unidos. Com a questionada redução de AAA para AA+ pela Standard & Poor’s, o pânico assolou o mundo. Por aqui, o Ibovespa despencou 9,74%, ficando a 100 pontos da interrupção das operações pelo circuit breaker.
"Essas grandes repercussões só acontecem devido à globalização da cadeia produtiva", explica Suano, que afirma que o Onze de Setembro foi um dos grandes responsáveis por uma "mudança na forma de organização mundial". "Os Estados Unidos tomaram uma decisão independente, mas o reflexo foi global.
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